Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que aparece a “canção da criança. Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam a sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe cantam sua canção. Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta. Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção. Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, igual como em seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na “viagem”. Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor. Então lhe cantam a sua canção. A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade. Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém. Teus amigos conhecem a “tua canção” e a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.
Estudo mostra que abusos sofridos na infância mudam a maneira de o cérebro humano responder ao estresse
Somos produto do meio, ou de nossa biologia? "Dos dois", é a resposta à qual a ciência chegou; o debate entre natureza e ambiente há tempos se tornou, felizmente, irrelevante. Hoje reconhecemos que, se por um lado nosso comportamento é fruto do funcionamento do cérebro que temos, este por sua vez depende da combinação de nossa biologia com história de vida - ou seja, com o meio social e acontecimentos pelos quais passamos.
A questão agora é como as experiências de vida afetam o cérebro, às vezes de maneira a deixar traços que duram pelo resto da vida. Dois tipos de experiências opostas com esse poder são a violência e o carinho: quando ocorrem na infância, ambas são capazes de modificar o cérebro, em sentidos contrários, por toda a vida adulta - ao menos no que diz respeito à sua capacidade de lidar com adversidades, ou estresse.
Em uma série de experimentos com ratos, Michael Meaney e sua equipe, na Universidade McGill, no Canadá, mostraram que a prole que recebe cuidados maternos - lambidas, no caso - tem respostas ao estresse menores do que proles não lambidas, produzem níveis menores de hormônios do estresse, têm menos probabilidade de sofrer de distúrbios de ansiedade (sim, ratos também sofrem de ansiedade) - e ainda se tornam mães carinhosas com sua própria prole, quando chega sua vez. Ratos que recebem carinho na infância gozam de respostas mais saudáveis ao estresse na vida adulta - e passam adiante à o carinho que receberam.
O efeito do carinho materno sobre o cérebro envolve a ativação por serotonina de neurônios do hipocampo, o que leva à maior produção de um fator de transcrição que aumenta a produção de receptores para hormônios do estresse. Com maior sensibilidade a esses hormônios, o hipocampo, em um mecanismo de auto-regulação por retroalimentação negativa, consegue inibir a resposta do cérebro ao estresse e impedir que ela se torne exagerada.
A produção de mais receptores também depende, contudo, de metilação - um tipo de modificação epigenética permanente do DNA, que não altera o código genético (a sequência de bases) mas muda como ele é usado. Por mecanismos ainda não conhecidos, o gene que determina a produção de receptores para hormônios do estresse quase nunca é metilado em animais que recebem carinhos maternos na infância. Sem metilação, grandes quantidades de receptor são produzidas; o hipocampo, assim bastante sensível ao hormônio do estresse, é capaz de inibir rapidamente respostas exageradas ao estresse; e o animal fica, então, protegido (mas não invulnerável!) contra efeitos adversos do estresse crônico ao longo da vida.
Sem carinho materno, no entanto, o DNA do receptor de hormônios do estresse é metilado - e poucos receptores são produzidos. Resultado: respostas intensas do cérebro ao estresse, maior vulnerabilidade a adversidades - e maior chance de sofrer de distúrbios associados ao estresse ao longo de toda a vida.
Tudo isso já foi bem demonstrado em ratos. Como níveis mais altos de hormônios do estresse são encontrados em humanos adultos que sofreram violência na infância, bem como uma maior vulnerabilidade a distúrbios de ansiedade, de humor, esquizofrenia e suicídio, era provável que as mesmas modificações epigenéticas que ocorrem no cérebro de ratos que não recebem carinho acontecessem no cérebro humano vítima de maus-tratos na infância.
A comprovação chegou agora: em estudo publicado em fevereiro de 2009 na revista Nature Neuroscience, o grupo de Michael Meaney comparou a metilação do DNA do receptor de hormônios do estresse e os níveis desse receptor no hipocampo de pessoas vítimas de suicídio que foram vítima de abusos sexuais, físicos ou negligência na infância, e compararam com vítimas de suicídio sem tal histórico, e pessoas que morreram subitamente de outras causas. Resultado: as primeiras, e somente elas, mostravam menor expressão do receptor - e metilação aumentada do DNA correspondente. A modificação não é, portanto, associada ao suicídio ou aos fatores de estresse que devem levar a ele; mas é muito provavelmente associada ao histórico de maus-tratos na infância.
É particularmente notável que o resultado do comportamento alheio - carinho, falta dele ou violência - sejam modificações no cérebro que resultam em mais do mesmo comportamento. Seja tratado com negligência ou violência na infância, e seu cérebro muda o modo de usar seu DNA de uma maneira tal que ele será mais propenso a ser, ele também, violento quando adulto. Ao contrário, receba carinho na infância e seu cérebro muda o modo de usar o DNA de uma maneira que o protege de adversidades e o deixa, ele também, mais carinhoso quando adulto.
E pensar que, quando eu era criança, a cartilha do pediatra Benjamin Spock - e de tantas mães - ditava que os bebês fossem deixados a chorar em seus berços, porque "carinho demais mima e faz mal". Que bom que minha mãe não deu ouvidos a ele... (SHH, março de 2009)
Fontes:
McGowan PO, Sasaki A, D'Alessio AC, Dymov S, Labonté B, Szyf M, Turecki G, Meaney MJ (2009) Epigenetic regulation of the glucocorticoid receptor in human brain associates with childhood abuse. Nature Neuroscience 12, 342-348.
Hyman SE (2009) How adversity gets under the skin. Nature Neuroscience 12, 241-242.
O subproduto mais deplorável da crise econômica mundial é o aumento da violência. Esta é uma das conclusões de um estudo elaborado por uma das unidades do grupo que edita a revista The Economist e que elabora o Índice da Paz Global. Com base nos dados de 2008 um ano que viu, primeiro, a crise do preço dos alimentos e dos combustíveis e, depois, o nascimento da maior crise dos últimos 80 anos , o relatório afirma que o enfraquecimento econômico propiciou mais instabilidade política, manifestações violentas e criminalidade, gerando focos de perturbação social e institucional em numerosos países. A crise fez o mundo mais violento, num processo que ainda não se esgotou. Para o relatório, o desemprego em rápida expansão, o congelamento dos salários e a queda no valor dos imóveis, poupanças e pensões está provocando um ressentimento popular em muitos países, com repercussões políticas.
No ranking da paz, o país menos violento passou a ser a Nova Zelândia. No ano anterior, havia sido a Islândia, país agora gravemente afetado pela crise, que recuou para a quarta posição. E os mais violentos são Iraque, Afeganistão e Somália. O Brasil melhorou cinco posições, sendo agora o 85º de uma lista de 144 países, muito próximo dos Estados Unidos, que figuram em 83º. O índice da paz é utilizado por numerosas agências internacionais, entre elas o Banco Mundial, o Instituto de Estudos Estratégicos e vários órgãos da ONU. Importantes personalidades, em especial ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, figuram entre as que consideram o índice e o ranking dele decorrente como instrumentos políticos de valor expressivo para a busca de melhores condições sociais globais.
Com base na respeitabilidade que o estudo adquiriu, cresce de importância a conclusão expressa claramente no relatório deste ano: as condições econômicas e a prosperidade têm forte correlação com a paz. “A paz é um importante indicador da prosperidade econômica”, afirma o criador do índice, Steve Killelea. Se, no julgamento de um pequeno grupo social, não se pode concluir que há necessariamente nexos causais entre pobreza e violência, no atacado do comportamento dos povos tal relação é visível – e assustadora. Para adotar conclusões sobre a paz nos países e no mundo, paz entendida como ausência de violência, o índice leva em conta 23 indicadores qualitativos e quantitativos, internos e externos. Entre os indicadores internos, estão dados sobre homicídios, percentagem da população encarcerada, disponibilidade de armas de fogo e o nível da criminalidade organizada. Entre os indicadores externos, incluem-se o tamanho dos arsenais e dos exércitos, a exportação e importação de armas, as vítimas nas guerras e as relações com os vizinhos.
A conclusão de que as crises podem ser incentivos a um ambiente de maior violência deve servir como alerta para que a sociedade e os governos trabalhem no sentido de enfrentar esses efeitos maléficos com propostas e ações capazes de atenuá-los ou até eliminá-los.
A coisa mais importante é a paz, porque quando se perde a paz não se tem mais nada. A paz de verdade que não tem aparência exterior, é a coisa mais importante do mundo. E a paz somente se estabelece no coração dos homens quando não há nenhuma marca de violência, de agressividade. Como disse Jesus, “Eis que eu vos dou a minha paz”. Mas eu não a dou como o mundo a dá, doa, como sabem que eu a posso oferecer? Significando que a paz que desfrutamos é a paz dos charcos e dos pântanos, que na superfície tem águas paradas e na profundidade tem miasmas, a morte, a manifestação deletéria, destrutiva.
A paz do Cristo resulta daquilo que Sócrates estabeleceu na sua maravilhosa mensagem filosófica, idealista, de três fatores essenciais: uma conduta reta, um coração pacificado e uma consciência tranqüila. Porquanto, somente pode ter uma consciência tranquila quem tem uma conduta reta, e somente há serenidade do sentimento ou do coração quando estes dois fatores, conduta e mente estão em harmonia.
Há um velho ditado: “Aqueles que expressam muita violência são pessoas profundamente covardes”.A característica do criminoso é que ele mata porque tem medo de morrer, e ele agride porque não tem coragem de enfrentar.
Na língua portuguesa há duas palavras que se confundem: agir e reagir, só dois verbos. Todos nós costumamos dizer: “Quando alguém me diz alguma coisa negativa eu reajo”, e revela que é um animal, porque reagir é dos animais, é do instinto. Quem pensa não reage, quem pensa age, toma uma atitude, reflexiona, mede os prós e os contra, mas aqueles que não raciocinam, imediatamente reagem. Se pisarmos a pata de um animal, ele escoiceia ou morde. Se pisarmos no pé de um homem, ele deveria pedir para tirar, mas, às vezes, escoiceia ou morde.
Todo covarde se mascara de violento e todo aquele que se arma exteriormente é porque é desarmado interiormente.
A violência é nada mais nada menos que a ausência do amor. É o amor que enlouqueceu. Porque na paisagem da terra, tudo é amor. O ódio é o amor que enlouqueceu; a indiferença é o amor que morreu; o sexo é o amor que se brutaliza; a fraternidade é o amor que se irmana; e o amor, amor é Deus dentro de nós, desdobrando-nos as possibilidades para alcançarmos a área das nossas melhores realizações.
A violência, no entanto, está presente em nós. Herdeiros atávicos da vida animal, temos, como dizem os psicanalistas, principalmente a doutrina freudiana, os instintos agressivos. Quando não logramos vencer através dos valores éticos, morais, queremos vencer através da força bruta, para dar margem que a nossa inferioridade triunfe e o nosso sentido egoísta predomine. Mas, ao lado desse sentimento de violência, há outro sentimento que jaz adormecido, é a não-violência.
Gandhi, este apóstolo da não-violência, estabeleceu que a nossa violência é tão cruel, que nos movimentos internacionais que fazemos, costumamos dizer que iremos lançar uma campanha contra a violência, e toda a vez que apresentamos uma campanha contra alguma coisa, nós nos armamos e ficamos violentos.
Então, ele sugeria que fizéssemos uma campanha a favor da não-violência. Quando estamos a favor de alguma coisa, desarmamo-nos, mas quando nos pomos contra é que precisamos de violência para combater a violência.
Temos visto nos movimentos de antiviolência internacionais as pessoas provocarem arruaça, badernas, apedrejamentos para manter o equilíbrio da não-violência, e para combater os não-violentos utilizam-se da violência.
Podemos pensar que não temos nada há ver com que as pessoas fazem no mundo exterior, mas temos. Toda a vez que uma pessoa cai, a sociedade cai com ela; toda a vez que uma pessoa comete um crime a sociedade se desequilibra; mas, toda a vez que um indivíduo se levanta, se engrandece, que ele se enobrece, a humanidade se ergue e se torna feliz.
Violência, não-violência, são dois temos da mesma equação.
Como nós estamos armados de cólera. Será isso cultura, civilização? Se perguntarmos genericamente se temos religião diremos que sim, uma religião por hereditariedade, por princípio social, por comodidade, mas somos religiosos? Não!
Porque quando estamos na violência estamos sem Deus. Gandhi costumava dizer: é necessário que o homem se desarme de toda a violência, porque através do amor ele logrará mudar a estrutura do seu comportamento e encontrará a paz. Afirmara o extraordinário pacifista: na hora que alguém resolver-se por ter paz, ele contaminará alguém de paz. Duas pessoas em paz mudam a estrutura de uma casa; uma casa tranquila muda o equilíbrio de uma rua; uma rua pacífica muda psicosfera de um bairro; um bairro de harmonia muda o teor vibratório de uma cidade; uma cidade em paz, só aumenta a paz de um país; e um país desarmando jamais será agredido. Aí está a suíça, passou pela guerra franco-prussiana em 1870, pela primeira guerra mundial de 1914 a 1918, pela segunda guerra, permanecendo absolutamente pacífica, porque não tinha e não tem exército. Se olharmos a Costa Rica, cujo presidente ganhou o prêmio Nobel da Paz, um país sem força, porque a força de um país não está na dimensão de suas armas, mas no valor do seu caráter. Vivemos uma hora agressiva, porque nós somos violentos. Mas violência não é o gesto brutal que chamamos de agressividade urbana, violência não é somente a atitude de esbordoar a pessoa no meio da rua. Violência é o autoritarismos exagerado dentro de casa; a atitude agressiva do nosso comportamento com os empregados; é roubar no preço; é exorbitar nas linhas do nosso comportamento comercial; violência é odiar em silêncio, gerando estados de desequilíbrios que se transforma no tipo epidêmico, que se generaliza; violência é atribuir a si direitos que ao outro nega, fazendo com que o egoísmo predomine.
Que possamos, então, superar a nossa violência com atitudes de pacifismo, que coloquemos em nosso coração a bondade, a bondade é boa para quem a exerce, e em nossa conduta a paciência, a neurose nos destrói, a paciência nos dignifica. E tenha certeza que nada destrói a vida, tenhamos a coragem de reconhecer que o mal está em nós, e através de uma atitude honrada podemos superar.
Resumo de uma palestra proferida por Divaldo Franco.
LONDRES (AFP) - A felicidade é contagiante e se propaga "por ondas" dentro de círculos de amigos ou de membros de uma família, mas não entre colegas de trabalho, revela um estudo que será publicado nesta sexta-feira pelo British Medical Journal (BJM).
Os autores do estudo estabeleceram que grupos de pessoas felizes e infelizes se constituem segundo critérios de proximidade social e geográfica. Por exemplo, a probabilidade de que uma pessoa seja feliz aumenta 42% se um amigo que mora a menos de 800 metros dele é feliz. Este número cai para 25% se o amigo mora a menos de 1,5 km, e continua declinando a medida que aumenta a distância.
As chances de felicidade aumentam em 8% em caso de convivência com um parceiro feliz, em 14% se um parente próximo feliz mora na vizinhança, e até em 34% em caso de vizinhos felizes.
"As variações no nível de felicidade de um indivíduo podem se propagar por ondas dentro de grupos sociais e fomentar uma ampla estrutura dentro de uma rede, criando assim grupos de pessoas felizes ou infelizes", consideraram os autores do estudo, os professores Nicholas Christakis, da Harvard Medical School, e james Fowler, da universidade de San Diego.
Contudo, esta tendência não se verifica no trabalho. "Os colegas de trabalho não afetam o nível de felicidade, o que faz pensar que o contexto social pode limitar a propagação de estados emocionais", segundo o estudo.
"Este estudo revolucionário pode influenciar a saúde pública", avisou o BMJ em seu comunicado.
"Se a felicidade se transmite, de fato, através das relações sociais, isso pode contribbuir indiretamente à transmissão semelhante da boa saúde, o que tem sérias implicações para a elaboração das políticas", avaliou a publicação.
O estudo foi realizado com 5.124 adultos de 21 a 70 anos, entre 1971 e 2003.
"Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus." - Jesus
Por muitas sejam as dores que te aflijam a alma, asserena-te na oração e pacifica os quadros da própria luta. Se alguém te fere, pacifica desculpando. Se alguém te calunia, pacifica servindo. Se alguém te menospreza, pacifica entendendo. Se alguém te irrita, pacifica silenciando. O perdão e o trabalho, a compreensão e a humildade são as vozes inarticuladas de tua própria defesa. Golpes e golpes são feridas e mais feridas. Violência com violência somam loucura. Não ergas o braço para bater, nem abras o verbo para humilhar. Diante de toda perturbação, cala e espera, ajudando sempre. O tempo sazona o fruto verde, altera a feição do charco, amolece o rochedo e cobre o ramo fanado de novas flores. Censura é clima de fel. Azedume é princípio de maldição. Onde estiveres, pacifica. Seja qual for a ofensa, pacifica. E perceberás, por fim, que a paz do mundo é dom de Deus, começando de ti.
Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Quando você olha num espelho o que você vê? Bem, você vê seu rosto é claro, mas no seu rosto você vê humores, mudanças de sentimento.
Nós humanos somos realmente bons em leitura facial e corporal, porque podemos olhar para outra pessoa e sentir o que ela está sentindo, podemos aprender com os outros, a nos conectar e amar.
Empatia é um dos nossos traços mais admiráveis e, quando ela acontece, acontece tão facilmente talvez porque - e esta é uma ciência muito nova, recém saída do laboratório – podemos ter alguns circuitos especiais em nosso cérebro que nos ajudam, quando quer que olhemos uns para os outros.
Pergunte a si mesmo: Por que as pessoas se envolvem tanto, tão profundamente, com tal angústia, tal sofrimento, numa tensão de roer as unhas, com o futebol? Por que somos tão doidos por esporte? E não é apenas o esporte. Podemos nos entregar completamente durante um filme, vídeo games, assistindo a um balé.
Existe alguma coisa sobre os humanos – particularmente os humanos – que nos permite conectar tão profundamente quando observamos outras pessoas -observando-os moverem-se, observando-os jogando, observando seus rostos?
Bem, se isso acontece, os cientistas têm uma explicação para esta estranha habilidade de conexão. Isto é novo. Nunca tinha sido achado em nível celular antes. Isto é, um conjunto de células cerebrais encontrado em cada lado da cabeça. Em meio aos bilhões de longas células ramificadas em nosso cérebro, os assim chamados neurônios-espelho tem um poder surpreendente.
Segundo Daniel Glaser, “O que encontramos é o mecanismo que reforça alguma coisa que é absolutamente fundamental na maneira como vemos as outras pessoas no mundo”.
E isso começou completamente por acidente num laboratório, na adorável antiga cidade de Parma, na Itália, onde um grupo de pesquisadores do cérebro estava trabalhando com macacos. E eles estavam testando um neurônio – isto, é uma célula do cérebro – que sempre que disparava fazia este barulho (estática), quando o macaco agarrava um amendoim. Então, o laboratório tinha amendoins espalhados por todo lado e quando queriam que o macaco fizesse seu movimento (estática) o neurônio disparava. Os cientistas pensaram: “Aqui está um neurônio que é essencial ao movimento. É um neurônio motor”. Então, um dia, o macaco estava apenas sentado por perto, sem fazer um movimento, apenas sentado, quando um cientista entrou no laboratório. E quando o cientista pegou o amendoim... Sim, a célula do macaco disparou. Mas, o macaco não tinha se movido – foi o humano que se moveu – sugerindo que este neurônio não poderia dizer a diferença entre ver alguma coisa e fazer alguma coisa. Ver e fazer eram a mesma coisa. Ou o mais intrigante que, para este neurônio, observar alguém fazendo alguma coisa é o mesmo que fazê-la você mesmo. O chefe do laboratório, Giacomo Rizzolatti exclamou: “Uau!”. De acordo com Rizzolatti, “é o mesmo neurônio que está envolvido em ambos os casos, isto é, quando o macaco observa alguma coisa e quando o macaco está fazendo alguma coisa. Isto é quase inacreditável”.
Isto é surpreendente porque esta célula que estava envolvida com o planejamento motor no macaco se tornou interessada no movimento de outras pessoas também.
Algumas pessoas os chamam de neurônios: “o macaco vê o macaco faz”, mas o nome que se dá é “neurônios-espelho”, porque com eles o cérebro parece refletir os movimentos que vê. Esta descoberta acidental fez os cientistas pensarem em fazer mais testes e logo ficou perfeitamente claro que isto não é coisa apenas de macaco: é coisa de pessoas também. Todos nós sabemos que os humanos aprendem olhando e copiando. Isto é o que as crianças fazem. Primeiro elas olham e então fazem. E, uma vez que tenham visto e copiado e aprendido um conjunto de movimentos, elas não apenas os tem em suas cabeças, mas sim agem através do aprendizado. Se você vê mais alguém fazendo isto, você pode compartilhar a experiência, porque sabemos os movimentos. Podemos nos mover com eles.
Para Glaser, “se você puder usar os anos de treinamento que você mesmo teve, aprendendo a engatinhar, e então aprendendo a andar, então aprendendo a comer, isto é um conjunto incrivelmente rico de conhecimento que você pode aplicar ao problema para de fato entender o que está acontecendo”.
Então é por isso que quando descemos, por exemplo, uma rua carregando muitos pacotes, não apenas as pessoas olham como também elas sentem a nossa situação, porque elas sabem o que é carregar pacotes pesados. Todas elas sabem o que é carregar. Então, conforme elas nos observam em movimento, elas se sentem em movimento. Os seus neurônios estão espelhando a ação. Estes neurônios podem ser a forma do cérebro de traduzir o que vemos de forma que podemos nos relacionar com o mundo.
O sistema espelho é a maneira como você toma contato, a maneira que você ativa suas habilidades e como você as projeta no mundo.
Sabe-se então que as pessoas são realmente boas em observar e traduzir o que veem. Testes demonstraram que, quando uma pessoa vê um filme que tenha a representação de seu próprio movimento, ele vai reconhecê-lo imediatamente como seu. E é por isso que fãs do esporte se tencionam com a ação e encolhem-se e pulam, porque se você conhece o jogo... Então seus neurônios estão disparando como se você estivesse jogando, dando um significado totalmente novo à frase “jogador de poltrona”. É por isso que é tão fácil ser um fã do esporte.
E tem mais... O Professor da UCLA, Marco Iacoboni sugere que os neurônios-espelho nos ligam não apenas às ações das outras pessoas, mas aos sentimentos das outras pessoas. Então a idéia era tentar descobrir como o sistema de emoções e o sistema motor estão conectados.
Numa experiência de laboratório, Iacoboni colocou um voluntário dentro de um scanner e pediu que o mesmo observasse uma porção de rostos. Pediu que o ele imitasse cada rosto que aparecia na tela, enquanto mapeava e gravava as imagens do cérebro do voluntário, enquanto ele movia seus músculos faciais.
Em seguida Iacoboni pediu ao voluntario para que fizesse de outra forma. Ele disse: Agora vou mostrar os mesmos rostos, mas desta vez não mova um músculo, apenas olhe...
Quando os resultados foram checados, observou-se que a parte do cérebro que estava funcionando quando o voluntário fez uma careta, era a mesma parte ficava ocupada quando ele olhava a mesma careta. Mais ainda, quando ele estava olhando para os rostos tensos, ele se sentia bastante desconfortável, sentia-se mal. Mas quando as faces destencionadas apareciam, ele se sentia melhor, quase feliz. E, no momento em que ele estava olhando para os rostos felizes, em seu cérebro aparecia uma área vermelha, que mostrava a atividade na área emocional “feliz”. E quando estava imitando rostos felizes... ele conseguia uma resposta ainda maior. Isto, diz Iacoboni, é um resultado consistente. Os neurônios-espelho podem mandar mensagens para o sistema límbico, ou emocional, em nossos cérebros. Então é possível que estes neurônios nos ajudem a sintonizar com os sentimentos uns dos outros. Isto é empatia. Nós acreditamos fortemente que este é um mecanismo de unificação que permite às pessoas realmente se conectarem num nível bem simples.
O pesquisador está dizendo que existe um lugar no nosso cérebro cuja função é viver na mente de outras pessoas, viver no corpo de outras pessoas. Grandes atores sabem instintivamente que, se eles colocarem dramas e sentimentos em seus corpos, nossos rostos e nossos corpos responderão. Os atores são experts em usar seus movimentos para inspirar sentimentos nas pessoas que estão assistindo. Estes são os experts no sistema espelho.
Segundo o Dr. Ramachandran, “Nós somos criaturas intensamente sociais. Literalmente lemos as mentes das outras pessoas. E não estou dizendo nada psíquico, como telepatia. Mas podemos adotar o ponto de vista de outra pessoa”.
Então, se o neurônio-espelho nos ajuda a conectar emocionalmente, como ficam aquelas pessoas que tem autismo? Para Ramachandran, já é conhecido há certo tempo que crianças com autismo podem ser perfeitamente inteligentes, mas têm um profundo déficit na interação social. Elas podem falar e ler e escrever, mas como muitas crianças com autismo, vão evitar o contato visual. Elas freqüentemente não entendem perguntas.
Todos querem saber o que exatamente causa isso. Então o Dr. Ramachandra e sua estudante de graduação Lindsay Shenk planejaram um experimento. Eles foram ler ondas cerebrais de um autista, gravaram ondas cerebrais enquanto a criança abria e fechava as mãos e enquanto ela olhava para um filme das mãos de outra pessoa. Para a maioria das pessoas as ondas cerebrais parecem as mesmas de qualquer forma, estejam elas fazendo ou olhando. Mas para as crianças com autismo as ondas mudam, sugerindo possivelmente que o autismo tenha algo a ver com neurônios-espelho “quebrados”. Os cérebros deles podem realmente ser diferentes neste aspecto, e eles podem ter deficts no sistema de neurônios-espelho. Mas ainda não se tem certeza disto ainda. Um estudo adicional precisa ser feito, usando imagens do cérebro.
Mas o que realmente sabemos, diz Ramachandran, é que seres humanos saudáveis são intensamente sociais. Mais que nossos primos macacos, inventamos formas de nos conectar. Inventamos danças, apertos de mão e jogos. Comemos juntos, nos encontramos e conversamos. Conversamos bastante.
Portanto, todos estão interessados nesta pergunta: O que faz os humanos únicos? O que nos faz diferentes dos grandes macacos, por exemplo? É porque podemos fazer humor - somos os “bípedes risonhos”. A linguagem certamente, ok? Mas outra coisa é cultura. E muito da cultura vem por imitação, observar seus professores fazerem algo.
Ramachandran propôs que, num momento chave de nossa evolução – este é o palpite dele – nossos neurônios-espelho melhoraram. E isto fez toda a diferença, ele diz. Porque, uma vez que nós humanos melhoramos em aprender uns com os outros, olhando, copiando, ensinando, pudemos fazer coisas que outras criaturas não puderam. Em outras palavras, se você é um urso e o ambiente se torna frio, você precisa de alguns milhões de anos para desenvolver camadas tipo de urso polar, de gordura e pêlo. Levaria muitas, muitas, muitas gerações de ursos para selecionar ursos mais peludos, mas, diz Ramachandran, se você é humano, você observa seu pai matando um urso e vestindo um casaco de pele, sabe, forrando, usando-o como um casaco. Você observa, aprende instantaneamente. Seus neurônios-espelho começam a disparar instantaneamente no seu cérebro e você executa a mesma seqüência, seqüência complicada. Em vez de ir através de milhões de anos de evolução, você fez isso em uma geração.
Entretanto, por enquanto ninguém está declarando que os neurônios-espelho são o ingrediente chave que nos faz diferente das outras criaturas, o que estes neurônios realmente sugerem sobre nós parece quase auto-evidente. Você pode ver isto em qualquer domingo num bar de esportes, que na profundeza de nossa arquitetura, no fundo de nossas células, somos construídos para estar juntos.
Conforme Glaser, não haveria nada de mais em ter um sistema espelho se você vivesse sozinho. Teria muito a ver em ter um sistema digestivo se você vivesse sozinho. Teria a ver ter um sistema de movimento se você vivesse sozinho. Teria a ver ter um sistema visual se você vivesse sozinho, mas não teria nada a ver ter um sistema espelho. O sistema espelho é o sistema cerebral social mais básico. É um sistema cerebral que não existe razão em ter se você não quer interagir ou se relacionar com outras pessoas.
Nós gostamos muito de interagir. E talvez agora, como nunca antes, vamos entender... o porquê.